Fui ler O segundo mundo, de Parag Khana, no trecho sobre a Líbia, para tentar entender o que sucede naquele país. O autor é muito culto e claro. Tanto que consegui entender tudo o que ele escreve. Fiquei tão fascinado com o livro que o li todo.
Ele fala da cultura política da América Latina, de ter instituições fracas para que líderes sobressaiam. Ele associa as instituições fracas com ditadores “pais dos pobres”. Os latino-americanos sempre esperam socorro de líderes messiânicos. Desprezam instituições e endeusam líderes. Então, entendi algo que se passa no cenário evangélico: por que há um desmanche das instituições. Por que tantos líderes criticam as convenções estaduais e a Brasileira? Porque não lhes convêm instituições fortes. Elas atrapalham obreiros personalistas, que querem dominar a igreja, e não servi-la. E muitos tentam desmontar a igreja local. Porque quando ela se firma é uma instituição forte.
A igreja local sofre muitas críticas e as instituições denominacionais são atacadas. Muitos líderes se isolam em sua igreja, tornando-a um feudo, deixando de cooperar e fazendo seu “ministério”. Isto também sucede na igreja local. Alguém tem “o seu dom”, que se torna o mais importante da igreja, e não se envolve com os demais. Como há “messias” salvando o evangelho e as igrejas!
Conhecendo esta tendência pecaminosa, o Espírito Santo orientou os autores do Novo Testamento a escreverem vários mandamentos sobre mutualidade e cooperação. O Novo Testamento não apóia carreira solo. E mostra a igreja como corpo: “Vocês são o corpo de Cristo, e cada um é uma parte desse corpo” (1Co 12.27). Individualidade, omissão e domínio não devem existir no cenário evangélico em geral, e na igreja em particular.
O reino de Deus não comporta grandões e mandões. Disse Jesus: “Os reis deste mundo têm poder sobre o povo, e os governadores são chamados de ‘Amigos do Povo’. Mas entre vocês não pode ser assim. Pelo contrário, o mais importante deve ser como o menos importante; e o que manda deve ser como o que é mandado. Quem é o mais importante? É o que está sentado à mesa para comer ou é o que está servindo? Claro que é o que está sentado à mesa. Mas entre vocês eu sou como aquele que serve” (Lc 22.25-27).
Muita gente quer ser “grandão” e ser servido.   Mas quem quer se sobrepor aos demais está em pecado. Quer desconstruir uma instituição para se projetar. Isto é tão real que há crentes que não se envolvem com suas igrejas, mas com o ministério “Fulano de Tal”, que substitui a igreja.
Jesus instituiu a igreja. E a igreja local é de origem divina, sim (1Co 12.27). Deve ser amada e respeitada. Ame-a e sirva-a.

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho